VOCE VOTOU!
Publicado em 16/11/2011
Estive viajando pelo interior da Paraíba e fui surpreendido por cidadãos comuns, de simples a formadores de opinião, arrependidos e ao mesmo tempo indignados com a postura do atual Governo estadual em relação a vários seguimentos. Uns chegaram a dizer que “na Paraíba foi implantada a ditadura”. Sinceramente, ainda acho cedo para avaliar, mas não posso me furtar de opinar sobre o que estas pessoas pensam e comentam.
Por mais que se diga que o povo é soberano não tem como se negar que quando os governantes querem forjar a unanimidade em torno de uma gestão, dificilmente a soberania do povo é exercida. Ora, você votou! Nesse caso, se torna bastante claro o quanto os eleitores ainda não aprenderam a assumir a responsabilidade do voto! A sucessão de decepções parece sempre levar a uma aposta naqueles que se apresentam com a promessa de um novo cenário político, econômico e social. E, diante desta perspectiva, o eleitor se deixa levar sem maiores reflexões.
Já vimos no Brasil vários políticos ditadores, a maioria proveniente da direita ou da extrema direita, que foram ovacionados pelo povo e, depois de serem rejeitados, voltou nos braços deste mesmo povo que um dia os elegeu. Entretanto, mesmo estando distante dos regimes totalitários, percebemos fortes resquícios de prepotência com posturas ditatoriais em governos que se dizem embasados no Socialismo.
O exercício do Poder nesses casos se mistura a personalidade do governante e muitas vezes fazem perder a noção do limite. Embora alguns eleitores e militantes inconscientes cheguem a admirar aquele que governa com “pulso forte”, muitos passam a seguir o seu líder sem sequer admitir questionamentos.
No entanto, “pulso forte” não é domar liderados uniformizando as suas idéias e os obrigando a rezar na cartilha de seus pensamentos e de suas vontades. “Pulso forte” não é humilhar, driblar, sufocar, planejar traições, mandar calar, fechando as portas para o diálogo e a convivência.
Não cabe a mim nem a quem quer que seja julgar essas pessoas, até porque, “julgar exige que você se considere superior a quem você julga”, mas não tenho dúvidas da incerteza política que ora vive a nossa querida Paraíba. Em outras palavras, o que senti nesses comentários é que foi plantado um clima nebuloso de insegurança e medo que só tende a aumentar caso o governo não diga pra que veio.
Será que o povo paraibano está verdadeiramente no comando do seu destino? Ou será que assistimos a mais uma ilusão?
ROUBA MAS FAZ
Publicado em 20/09/2011
No Brasil, infelizmente a política sempre escorregou para um lado demagógico e acomodado no sentido de preservação de índole e personalidade comportamental. A “cultura da comissão” que foi plantada para oficializar o errado através de lobes e influências no poder continua viva e sendo administrada por agentes políticos e laranjas. Parece até que escorre no sangue um espírito desonesto no chamado “jeitinho brasileiro” que termina oficializando o que de mais podre existe na esfera do poder. O lema é passar por cima de todos e “sair na vantagem”. Quando isso não acontece acabam reclamando que não fez um “bom negócio”.
Na Paraíba é impressionante a quantidade de escândalos que vem acontecendo sucessivamente tanto na Prefeitura como no Governo e até hoje nunca se viu uma punição concreta por órgãos que possam inibir essas ações desonestas e truculentas. Só para refrescar a memória, nos últimos 12 meses na Paraíba se roubou mais do que nos últimos 50 anos e a quantidade de escândalos supera em número todos os governos anteriores. São tantas denuncias que elas próprias são atropeladas pela mídia do dia-a-dia. Licitações fraudulentas, superfaturamento de produtos, permutas desonestas, desapropriações duvidosas, contratos milionários em nome de laranjas, privatizações obscuras e terceirizações desconectadas tem feito da Paraíba um celeiro de prostituição política deplorável. Nada disso, no entanto, faz mudar a caminhada governamental e estes escândalos parecem até que não existem aos olhos da justiça. A reação imediata tem sido desprezada pelos governantes ou transformada em perseguições a quem denuncia. A repressão chegou a tanto que para falar com o governante é necessário uma revista prévia e a obrigação de deixar os celulares na portaria do Palácio da Redenção. Acreditam? Pois foi exatamente isso que aconteceu na semana passada com um grupo de servidores públicos que foi recebido para “dialogar” com o nosso governante. Até os celulares tipo “lanterninha” foram retidos na ante-sala governamental. Será isso democracia? Onde estamos vivendo? Isso é Brasil?
A transparência e a honestidade plantada em discursos nos últimos oito anos parece agora despencar de um abismo sem pára quedas e gradativamente se desmascara pela própria ganância do poder. Esses crimes apelidados de “colarinho branco” estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano e mesmo chegando ao conhecimento da grande população nem por isso deixam de acontecer. Geralmente quando se pratica o errado e nada acontece ao infrator, aumentam-se os atos de corrupção e os mesmos deitam e rolam zombando da justiça e do poder. É a impunidade explícita associada a uma “imprensa dominada” e cada vez mais tendenciosa defendendo o errado para ter que sobreviver. Não é de hoje que isso é a cara da Paraíba.
Tudo isso faz lembrar o famoso slogan do ex-governador de São Paulo Ademar de Barros, “rouba, mas faz”. Ademar é lembrado pelas suas obras, mas também pela suspeita de desvios de dinheiro público. Da mesma forma, o lendário Paulo Maluf caiu no inconsciente coletivo do paulistano como o Governador que rouba, mas faz. Realmente Maluf ficou conhecido como um gestor de grandes obras, no entanto foi execrado pela população após descobrirem que por trás daquelas licitações existiam sucessivas falcatruas e obras superfaturadas. Outra coisa visivelmente percebida no Governo de Maluf foi à necessidade de se fazer obras “carregadas no concreto”, mas que dão visibilidade e enchem os olhos da população. Muito parecido com o que acontece com a nossa Paraíba atualmente, onde vários PSFs e Colégios foram reformados e pintados e, no entanto, médicos e professores que é bom não existem. Vivemos literalmente a era da maquiagem. Infelizmente encher os olhos com estas obras faraônicas parece render votos. Enquanto a população permanece pobre e descuidada, o Estado vai seguindo enricando o bolso de alguns e contribuindo cada vez mais com o fim do que ainda resta da nossa pobre e relegada auto-estima.








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